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Mozart Bicalho

Mozart Bicalho

Instrumentista, Compositor Natural de Santa Bárbara Nasceu em 16 de janeiro de 1901 Falecido em 11 de janeiro de 1986 Gênero musical: Choro‎, outro
Biografia

Violonista. Compositor. Poeta. Solista de violão nascido em Minas Gerais e que viveu durante algum tempo no Rio de Janeiro. Nascido na cidade de Santa Bárbara, distrito de Bom Jesus do Amparo, foi o autor do hino da cidade de Dom Joaquim compondo letra e música. Em 2001, foi inaugurado na cidade de Dom Joaquim um monumento em sua homenagem. Embora menos conhecido pelo grande público, é considerado por muitos críticos como um dos principais violonistas brasileiros.

Dados Artistícos

Convidado pelo então diretor artístico da Odeon Eduardo Souto, foi contratado pela gravadora e fez sua estréia em discos em agosto de 1929 interpretando ao violão a valsa “Alma de artista” e o cateretê “Tuim, tuim”, ambas de sua autoria, contando com acompanhamento de Henrique Vogeler ao piano. Por essa época, tornou-se o primeiro violonista a tocar numa emissora de rádio interpretando a valsa “Gotas de lágrimas”. Dois meses despois, gravou mais duas obras de sua autoria: a valsa “Divagações” e o choro “Currupacos, papacos”. Pela mesma época, registrou duas “cenas de roça”, conforme o selo do disco, também de sua autoria: Usca moleque” e “Festa de Itambé”. Nesse disco, aparece cantando, falando e tocando violão. Foi companheiro de Catulo da Paixão Cearense na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, do Professor Roquete Pinto, onde o poeta tinha um programa juntamente com João Pernambuco. Em 1930, gravou ao violão a quadrilha “Dança das pulgas” e a valsa “Reminiscências de Santa Alda”, de sua autoria. No mesmo ano, gravou de sua autoria, o paso-doble “Odeon” e a valsa “Gotas de lágrimas”. Esta última por sinal tornou-se um grande sucesso na época vendendo cerca de 3 mil cópias, número bastante expressivo naquele tempo quando, por exemplo, uma cidade como Belo Horizonte não tinha mais de 200 gramofones. Essa valsa inclusive incorporou-se ao repertório violonístico brasileiro como um de seus clássicos. Em 1931, gravou dois desafios com Ferreira da Silva: “Toada bonita de Marambá”, de Ferreira da Silva, e “Cidade, cidadão”, de sua autoria. No mesmo ano, lançou em interpretação ao violão o choro “Peba” e a valsa “Meditação”, de sua autoria. Ainda em 1931, gravou pela Victor o choro onomatopaico “Piau, piau” e a valsa “Evocação”, de sua autoria, disco no qual foi acompanhado ao violão por Rogério Guimarães. Foi diretor artístico da Rádio Vera Cruz, época na qual chegou a musicar alguns poemas de Catulo da Paixão Cearense como “Morena do meu sertão”. Foi frequentador assíduo da loja de instrumentos “Ao bandolim de ouro” onde costumava encontrar-se com outros violonistas como Quincas Laranjeira, Oswaldo Soares e Rogério Guimarães. Para se ter uma idéia da popularidade da valsa “Gotas de lágrimas”, o violonista Dilermando Reis em 1935 foi contratado pelo radialista Renato Murce para atuar na Rádio Transmissora com um programa exclusivo quando foi visto por ele tocar na Rádio Guanabara em intervalos de programas nos quais acompanhava calouros solando esta valsa. Depois de alguns anos sem fazer gravações, retornou aos discos em 1940 quando lançou pela Odeon a valsa “Coração de mãe” e o “Choro sete”, de sua autoria. Em 1963, a valsa “Gotas de lágrimas” foi editada pela primeira vez pela editora Cembra Ltda, da cidade de São Paulo. No mesmo ano, foi gravada por Dilermando Reis ao violão em gravação Continental. Muito apreciada por estudiosos de música a valsa “Gotas de lágrimas” recebeu a seguinte apreciação do professor mineiro José Lucena, que foi um dos introdutores da cadeira de violão na UFMG : “Gotas de lágrimas” forma com “Abismo de rosas” e “Sons de carrilhões” uma tríade exemplar de músicas populares que, durante anos, atraíram e sensibilizaram os ouvintes a ponto de tornar muitos deles cativos para sempre do instrumento”. Já para o violonista Genésio Nogueira, autor da biografia de Dilermando Reis, a valsa “Gotas de lágrimas” possui muitas dificuldades técnicas o que fez com que ela fosse considerada como uma “música de desafio”, e ainda, “Quem tocasse essa valsa era considerado um bom violonista”. Em 1995, a valsa “Gotas de lágrimas” foi relançada no CD “O melhor de Dilermando Reis”, com interpretações do violonista Dilermando Reis lançado pela Phonodisc/Warner Music. Em 2002, a valsa “Gotas de lágrimas” foi reeditada na Itália pelo violonista Marcos Vinicius, e passou a fazer parte da “Marcos Vinicius Guitar Collection” uma coleção específica de músicas para violão que foi criada pela Carrara Editions, de Bergamo, uma das mais antigas editoras musicais italianas. Em 2003, obras de sua autoria foram interpretadas pelos violonistas Fernanda Pereira e Stefan Schmitz em concerto realizado no Museu do Ingá, em Niterói, RJ

Obra
  • Alma de artista
  • Choro sete
  • Cidade, cidadão
  • Coração de mãe
  • Currupacos, papacos
  • Dança das pulgas
  • Divagações
  • Evocação
  • Festa de Itambé
  • Gotas de lágrimas
  • Meditação
  • Odeon
  • Peba
  • Piau, piau
  • Reminiscências de Santa Alda
  • Tuim, tuim
  • Usca moleque
Discografia
  • (1929) Usca moleque/Festa de Itambé • Odeon • 78
  • (1929) Divagações/Currupacos, papacos • Odeon • 78
  • (1929) Alma de artista/Tuim, tuim • Odeon • 78
  • (1930) Odeon/Gotas de lágrimas • Odeon • 78
  • (1930) Dança das pulgas/Reminiscências de Santa Alda • Odeon • 78
  • (1931) Piau, piau/Evocação • Victor • 78
  • (1931) Peba/Meditação • Odeon • 78
  • (1931) Toada bonita de Marambá/Cidade, cidadão • Odeon • 78
  • (1940) Coração de mãe/Choro sete • Odeon • 78
Bibliografia

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